Vigorexia: Saiba os riscos da obsessão de ter um corpo forte
Você já ouviu falar em vigorexia? A sociedade valoriza cada vez mais o corpo ideal nas redes sociais e academias, e muitas pessoas acabam ultrapassando os limites da saúde em busca de músculos definidos e alta performance.
Embora a prática regular de exercícios seja essencial para o bem-estar, o exagero e a insatisfação constante com a própria imagem corporal podem esconder um problema mais profundo.
A seguir, vamos explicar o que é a vigorexia, quais são seus principais sinais e os riscos que esse transtorno representa para a saúde física e mental.
O que é vigorexia?
A vigorexia é um transtorno psicológico que afeta principalmente pessoas obcecadas por um corpo musculoso. Ao contrário do que muitos pensam, ela não tem a ver apenas com vaidade ou vontade de estar em forma.
Trata-se de uma condição séria que envolve distorção da imagem corporal, comportamento compulsivo e, muitas vezes, uso excessivo de suplementos ou anabolizantes. Quem sofre com a vigorexia, mesmo já estando com o corpo bastante musculoso, continua se enxergando como fraco ou insuficiente — e isso gera sofrimento real.
Definição e características principais
A vigorexia faz parte do espectro dos transtornos dismórficos corporais. A pessoa passa horas na academia, sente culpa ao faltar treinos e segue dietas extremamente rígidas. Em muitos casos, o uso de esteroides anabolizantes entra na rotina como forma de acelerar resultados — o que aumenta os riscos à saúde.
Além disso, a autoestima e o humor dessas pessoas dependem totalmente da aparência física. Elas evitam situações sociais, sentem vergonha do corpo e vivem em constante comparação com padrões irreais de beleza.
Diferença entre vigorexia e estilo de vida saudável
É importante deixar claro: cuidar do corpo, praticar atividade física e manter uma boa alimentação são atitudes saudáveis e recomendadas. A diferença está no equilíbrio.
Quem tem um estilo de vida saudável faz exercícios para se sentir bem, melhorar a disposição e prevenir doenças. Já quem sofre de vigorexia treina por obrigação, sente ansiedade se não malha e nunca se sente satisfeito com os resultados. A busca deixa de ser por saúde e passa a ser por um ideal inalcançável.
Enquanto o estilo de vida saudável promove bem-estar, a vigorexia gera sofrimento físico e emocional — e por isso precisa ser tratada com seriedade.
Quais são os sinais da vigorexia?
Reconhecer os sinais da vigorexia é essencial para diferenciar um hábito saudável de um comportamento que pode colocar a saúde em risco. O transtorno se manifesta tanto fisicamente quanto emocionalmente, afetando o modo como a pessoa se enxerga, age e se relaciona com os outros. Estar atento a esses sinais é o primeiro passo para buscar ajuda.
Comportamentos físicos e mentais comuns
Quem sofre com vigorexia apresenta padrões de comportamento bastante específicos. Veja os mais comuns:
- Treinos excessivos: a pessoa malha todos os dias, por várias horas, mesmo quando está cansada ou lesionada.
- Insatisfação constante com o corpo: mesmo com um corpo musculoso, ela se vê como pequena ou fraca.
- Uso abusivo de suplementos e anabolizantes: com o objetivo de ganhar massa muscular mais rápido, muitas vezes sem orientação médica.
- Restrição alimentar severa: segue dietas extremamente rígidas e sofre grande culpa ao sair do plano alimentar.
- Isolamento social: evita encontros, viagens ou eventos por medo de perder um treino ou “sair da dieta”.
- Preocupação exagerada com a aparência: passa muito tempo no espelho, tirando fotos ou comparando o corpo com o de outras pessoas.
Como identificar a obsessão no dia a dia
Alguns sinais podem parecer atitudes comuns de quem gosta de treinar, mas quando passam a dominar a rotina e prejudicar o bem-estar, acendem um alerta:
- Falta de flexibilidade na rotina: recusa qualquer mudança nos horários de treino ou alimentação, mesmo em situações especiais.
- Ansiedade e irritação ao perder um treino: o humor se altera visivelmente quando não consegue seguir o planejamento.
- Comparação constante com outros corpos: segue dezenas de perfis fitness e vive se comparando negativamente com eles.
- Autoestima ligada ao corpo: sente-se confiante apenas quando acredita estar com o “corpo ideal”.
- Negação do problema: mesmo com sinais evidentes, a pessoa nega qualquer excesso e defende suas atitudes como “normais”.
Esses sinais indicam que a busca pelo corpo ideal passou dos limites saudáveis e pode estar comprometendo a saúde física e mental.
Quais os riscos da vigorexia para a saúde?
Embora muitas pessoas associem a busca por um corpo musculoso à ideia de saúde, quando essa busca se torna obsessiva, os efeitos são exatamente o oposto.
A vigorexia traz riscos reais para o corpo e para a mente, principalmente quando há exageros na prática de exercícios e no uso de suplementos ou anabolizantes sem orientação.
Danos físicos causados por excesso de treino
Exercitar-se regularmente traz inúmeros benefícios, mas treinar de forma intensa e sem períodos de descanso pode causar sérios danos ao organismo:
- Lesões musculares e articulares: o corpo não tem tempo de se recuperar, aumentando o risco de distensões, tendinites, rupturas de ligamentos e outras lesões graves.
- Comprometimento do sistema cardiovascular: o esforço extremo constante pode sobrecarregar o coração, principalmente em pessoas que usam estimulantes ou anabolizantes.
- Síndrome do overtraining: é o esgotamento físico e mental causado pelo excesso de atividade sem descanso adequado, o que pode gerar fadiga crônica, insônia, irritabilidade e perda de rendimento.
- Queda de imunidade: treinar demais, especialmente sem a devida nutrição e recuperação, pode enfraquecer o sistema imunológico, tornando o corpo mais suscetível a infecções.
Danos causados por excesso de suplementação
Na tentativa de alcançar resultados rápidos, muitas pessoas com vigorexia recorrem ao uso indiscriminado de suplementos e esteroides anabolizantes, o que representa um risco grave à saúde:
- Problemas hepáticos e renais: o excesso de proteína, aminoácidos e outras substâncias sobrecarrega o fígado e os rins, podendo levar a insuficiências ou falência desses órgãos.
- Alterações hormonais: os anabolizantes afetam diretamente a produção natural de hormônios, podendo causar infertilidade, ginecomastia (crescimento das mamas em homens), queda de libido e disfunções sexuais.
- Problemas cardiovasculares: o uso prolongado de esteroides aumenta os níveis de colesterol ruim (LDL), favorece a formação de placas nas artérias e eleva o risco de infartos e AVCs.
- Distúrbios psicológicos: substâncias hormonais em excesso podem desencadear quadros de agressividade, irritabilidade extrema, ansiedade e até depressão.
Esses danos nem sempre aparecem de forma imediata, o que dificulta a percepção do problema. No entanto, os efeitos são acumulativos e, com o tempo, podem causar prejuízos sérios e irreversíveis à saúde.
Impactos na saúde mental e emocional
Além dos danos físicos, a vigorexia compromete profundamente o bem-estar emocional e psicológico da pessoa. A obsessão com o corpo ideal afeta a autoestima, os relacionamentos e a qualidade de vida como um todo. Veja os principais impactos:
- Autoimagem distorcida: mesmo com um corpo visivelmente musculoso, a pessoa se enxerga como fraca ou fora do padrão, o que gera frustração constante.
- Baixa autoestima: a autoavaliação depende exclusivamente da aparência física e dos resultados visíveis, criando um ciclo de insatisfação e insegurança.
- Ansiedade e compulsão: o medo de “perder massa muscular” ou “não estar em forma” gera comportamentos compulsivos, como treinos excessivos, dietas extremas e checagem constante no espelho.
- Isolamento social: a preocupação com a aparência faz com que a pessoa evite sair, conviver com outras pessoas ou participar de eventos que envolvam comida ou lazer fora da rotina de treinos.
- Depressão: o sentimento de inadequação, a exaustão física e a frustração por nunca alcançar o “corpo ideal” podem levar a quadros depressivos.
- Dependência emocional do treino: o exercício físico deixa de ser um prazer e se torna uma obrigação. Se a pessoa não treina, sente-se culpada, ansiosa ou até em crise.

Quem está mais propenso a desenvolver vigorexia?
A vigorexia pode atingir qualquer pessoa, mas alguns fatores aumentam significativamente o risco de desenvolver esse transtorno. Entender esse perfil é fundamental para a prevenção e para o diagnóstico precoce, especialmente em um cenário onde a cultura da performance física e da estética idealizada ganha cada vez mais força.
Fatores de risco
Entre os principais fatores de risco estão a baixa autoestima, a distorção da imagem corporal e o perfeccionismo extremo. Pessoas que já apresentam histórico de transtornos alimentares, como bulimia ou anorexia, ou que sofrem de ansiedade e depressão, têm maior vulnerabilidade à vigorexia.
Outro fator importante é a pressão estética, especialmente nas redes sociais, onde corpos extremamente musculosos são frequentemente exaltados como sinônimos de sucesso, disciplina e atratividade.
Perfil das pessoas mais afetadas
Embora o transtorno possa atingir homens e mulheres, ele é mais comum entre homens jovens, especialmente entre os 18 e 35 anos, que estão no auge da preocupação com a imagem corporal e desempenho físico.
Muitos desses indivíduos têm um perfil competitivo, são exigentes consigo mesmos e buscam constantemente a validação externa, seja por meio de elogios, curtidas nas redes sociais ou admiração no ambiente de treino.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico da vigorexia exige atenção especializada, pois muitas vezes os sintomas se confundem com hábitos comuns no universo fitness. No entanto, a diferença está no excesso e no sofrimento gerado.
Por isso, é essencial que a avaliação seja feita por profissionais capacitados, que consigam identificar os sinais do transtorno de forma ampla — tanto no aspecto físico quanto emocional.
Profissionais que devem ser procurados
O primeiro passo é buscar ajuda com um psicólogo ou psiquiatra, profissionais especializados em saúde mental. São eles que conseguem avaliar o padrão de pensamento, os comportamentos obsessivos e a distorção da autoimagem.
O psiquiatra também poderá indicar, se necessário, o uso de medicamentos para controle da ansiedade, depressão ou compulsão, que muitas vezes acompanham o quadro.
Além disso, é importante contar com o apoio de um nutricionista e um educador físico com experiência em saúde integrativa. Esses profissionais ajudarão a avaliar os hábitos alimentares e a rotina de treinos, identificando possíveis exageros e sugerindo ajustes saudáveis.
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Avaliação psicológica e física
A avaliação psicológica busca entender como a pessoa enxerga seu corpo, qual é a influência dessa percepção em sua autoestima e como isso impacta seu comportamento.
São feitas entrevistas clínicas, questionários e, em alguns casos, testes psicológicos padronizados que ajudam a identificar o grau de distorção da imagem corporal e os níveis de ansiedade ou compulsão.
Já a avaliação física envolve exames clínicos que verificam o impacto do excesso de treino e suplementação no corpo. Isso pode incluir testes hormonais, avaliação da função hepática e renal, exames cardiovasculares e análise nutricional. Esses dados ajudam a entender se há sinais de sobrecarga física, desnutrição ou uso indevido de substâncias, como anabolizantes.
Qual o tratamento para vigorexia?
A boa notícia é que a vigorexia tem tratamento e, com o acompanhamento adequado, é possível recuperar o equilíbrio entre corpo, mente e saúde. O processo envolve principalmente psicoterapia e uma abordagem multidisciplinar que inclui reeducação alimentar e ajuste da rotina de treinos.
Psicoterapia e apoio multidisciplinar
O tratamento da vigorexia começa com o cuidado da saúde mental. A psicoterapia é essencial para ajudar a pessoa a entender as causas do transtorno e modificar sua relação com o corpo.
- Terapia cognitivo-comportamental (TCC): ajuda a identificar padrões de pensamento distorcidos e substituí-los por ideias mais realistas e saudáveis.
- Apoio psiquiátrico (se necessário): em alguns casos, o psiquiatra pode indicar medicamentos para controlar ansiedade, depressão ou compulsões.
- Trabalho conjunto com nutricionista, educador físico e médico: uma equipe multidisciplinar garante que todos os aspectos do tratamento estejam alinhados — físico, emocional e comportamental.
- Envolvimento da família e rede de apoio: amigos e familiares informados ajudam na recuperação, oferecendo suporte emocional e incentivo a hábitos mais saudáveis.
Reeducação alimentar e rotina de exercícios equilibrada
Outro pilar fundamental do tratamento é rever os hábitos alimentares e a prática de atividade física, para que voltem a ser aliados da saúde — e não gatilhos de sofrimento.
- Orientação nutricional personalizada: o nutricionista vai adequar a alimentação às necessidades reais do corpo, corrigindo excessos e carências.
- Interrupção do uso de anabolizantes ou suplementos em excesso: sempre com acompanhamento médico para evitar efeitos de abstinência ou riscos à saúde.
- Rotina de treinos saudável: o educador físico ajusta o volume, intensidade e frequência dos treinos, respeitando o tempo de recuperação do corpo.
- Incorporação de descanso e lazer: o paciente aprende a valorizar o equilíbrio entre esforço e pausa, retomando atividades prazerosas fora do ambiente da academia.
Como prevenir a vigorexia?
A prevenção da vigorexia começa com a forma como enxergamos o corpo e a saúde. Em um mundo onde os padrões estéticos são cada vez mais exigentes, é fundamental cultivar o autoconhecimento e o equilíbrio. A seguir, veja como a educação e pequenas atitudes podem ajudar a manter o bem-estar físico e emocional.
Importância da educação sobre imagem corporal
Desde cedo, é importante ensinar que corpos saudáveis têm formas e tamanhos diferentes. Valorizar a diversidade corporal ajuda a combater a ideia de que existe um único padrão ideal de beleza. A educação sobre imagem corporal — em casa, nas escolas, nas redes sociais e até nas academias — pode:
- Reduzir a insatisfação com o corpo.
- Promover o respeito ao próprio corpo e ao dos outros.
- Estimular hábitos saudáveis sem obsessão com resultados estéticos.
- Ajudar a identificar comportamentos de risco e buscar ajuda com antecedência.
A conversa aberta sobre autoestima, saúde mental e os impactos da cultura da aparência é um dos caminhos mais eficazes para prevenir transtornos como a vigorexia.
Estratégias para manter um estilo de vida saudável e equilibrado
Adotar um estilo de vida saudável vai muito além de treinar e comer bem. O verdadeiro equilíbrio está em cuidar do corpo sem culpa, sem extremos e com prazer. Algumas atitudes simples podem fazer toda a diferença:
- Estabeleça metas reais e alcançáveis.
- Respeite seus limites físicos e mentais.
- Enxergue o exercício como uma forma de bem-estar, não punição.
- Busque ajuda profissional para manter uma rotina segura e eficaz.
- Cuide da saúde emocional com a mesma atenção que dá ao corpo.
A vigorexia é um transtorno sério, mas com informação e cuidado, é possível preveni-la e tratá-la. O mais importante é lembrar que saúde não se mede no espelho, e sim na forma como nos sentimos e vivemos.
Se você ou alguém próximo apresenta sinais de obsessão com o corpo, não hesite em buscar ajuda profissional. Cuidar de si com equilíbrio é o verdadeiro caminho para o bem-estar!
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