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Como o Coronavírus começou?

São mais de 300 mil casos do novo coronavírus em mais de 180 países. Entre os casos estão quase 13 mil mortes até o dia 21 de março e quase 95 mil pessoas que já se recuperaram da doença.

O Covid-19, nome dado a doença que já se tornou uma das piores epidemias mundiais, surgiu em um único país: a China. De lá ele se espalhou pelo mundo através da sua fácil transmissão e se tornou uma das maiores crises de saúde mundial já vista na história.

Mas como exatamente ela se tornou esse problema que vem parando o mundo? Para saber mais sobre isso vamos voltar ao começo.

O que é coronavírus?

Coronavírus é uma família viral que causa infecções respiratórias. Das doenças mais conhecidas causadas por essa família está a gripe, resfriado, pneumonia, H1N1, entre outras. Ela afeta nosso sistema respiratório, começando pelas vias respiratórias, nariz, garganta e descendo até nosso pulmão.

Coronavírus (Fonte: G1)

Mutações dela foram descobertas no mundo desde 1960 e desde então ela causou um grande número de mortes com as doenças que se desenvolvem a partir dela.

Entretanto, para muitas o organismo humano já vem se adaptando com o passar das décadas ou já foram criadas vacinas e medicamentos que possam combatê-la.

É o caso da gripe, que se tornou uma doença comum no dia a dia. Mas, apesar de ser algo visto como cotidiano, graças a sua fácil e rápida mutação, ainda é uma doença que mata cerca de 650 mil pessoas por ano ao gerar complicações respiratórias. Elas acontecem principalmente em pessoas já idosas.

Conheça o grupo de risco do Coronavírus
Conheça o grupo de risco do Coronavírus

Além das doenças já conhecidas houveram duas novas mutações de um coronavírus que causaram impacto no mundo: a SARS (sigla de Síndrome Respiratória Aguda Grave) e a MERS (sigla de Síndrome Respiratória do Oriente Médio).

As duas foram responsáveis por deixar o mundo em alerta, a SARS em 2002 e a MERS em 2012. A primeira surgiu também na China, enquanto a segunda acabou vindo à tona na Arábia Saudita.

Com contágio em 25 países e a SARS tendo matado pouco menos de 800 pessoas, enquanto a MERS matou pouco mais que esse mesmo número, as duas doenças tiveram a mesma fonte: animais.

E o mesmo acontece agora com o Covid-19, o novo coronavírus que não apenas veio dos animais para os humanos, mas também ultrapassou em muito suas ‘irmãs’ no problema de saúde mundial que vem causando.



Os animais, os humanos e a relação com o coronavírus

A família viral do coronavírus é realmente ampla. Tanto que, entre as doenças que ela pode causar estão não apenas as que acabam adoecendo humanos, mas também muitas que afetam animais. E entre eles estão animais silvestres e domesticados.

Na China a existência de mercados onde são vendidos a carne de animais silvestres, ou até mesmo os próprios animais ainda vivos é extremamente comum.

Neles é possível encontrar bichos como: serpentes, lontras, filhotes de lobo, caranguejos, gafanhotos, porquinhos da índia, morcegos, ratos de bambu, texugos, ouriços, civetas, entre tantos outros.

A culinária poderia ter contribuído para sua disseminação local

A própria SARS parece ter surgido através do contágio por consumo de carne de civeta, um mamífero carnívoro pequeno e muito comum nesses mercados. Enquanto isso a MERS foi transmitida para humanos através de camelos contaminados na Arábia Saudita.

Existem diversos tipos de vírus e doenças nos organismos dos animais que, ao entrar em contato com humanos, acabam gerando novas doenças. Elas podem vir através da ingestão da carne de animais ou do contato próximo de humanos com eles.

Esses casos se tornam especialmente perigosos porque nosso organismo não possui nenhum tipo de imunidade ou preparo para lidar com os ataques desses novos vírus, fazendo assim com que pandemias como a da Covid-19, a SARS e a MERS se tornem possíveis e perigosas.

A Feira Livre de Frutos do Mar de Huanan

Como dito antes, feiras onde são vendidos animais silvestres e domesticados ainda vivos são comuns na China. Entre eles está a Feira Livre de Frutos do Mar de Huanan, que fica na cidade de Wuhan, capital da província de Hubei.

Feira Livre de Frutos do Mar de Huanan

Sendo uma das maiores e mais populares do país essa feira tem uma extensão de quilômetros e costumava movimentar centenas de pessoas diariamente.

Lá era possível encontrar diversas barracas com os mais diversos animais em gaiolas e tanques ainda vivos, sendo mortos pouco antes do consumidor as levarem para a casa.

A higiene nesses lugares costuma ser precária, sendo que animais como frango, por exemplo, são mortos pelos vencedores na hora da compra e seus restos deixados pelo lugar.

O cuidado com a saúde e higiene acaba não sendo uma prioridade, fazendo com que isso facilite ainda mais na propagação de doenças.

A cidade onde ocorreu o início de tudo: Wuhan

Wuhan é a capital da província de Hubei, sendo a sétima maior cidade de toda a China e ficando na posição 42° em todo o mundo.

Dados cedidos pelas Nações Unidas em 2018 informação que a população de Wuhan é de 8,9 milhões de pessoas. Porém, alguns contestam essa informação e garantem que o número pode chegar a 11 milhões de pessoas.

Wuhan, China

A cidade foi construída próximo ao rio Yang Tsé, um rio com extensão de 6,4 mil quilômetros que leva o posto de maior rio de toda a Ásia e o terceiro maior do mundo.

Isso fez com que a cidade construísse um porto que se tornou importante para o comércio dele com o país, tendo uma conexão direta com Xangai, que fica ao leste, e a Chongquing, que fica ao oeste.

Além disso Wuhan é também uma conexão comercial importante por terra. Fica a apenas algumas poucas horas das cidades mais importantes do país em ao fazer uma viagem de trem, tendo uma das melhores infraestruturas ferroviárias de alta velocidade, construída de maneira estratégica para o crescimento da região.

Fora viagens e transações feitas através de navios e trens Wuhan também possui um aeroporto internacional com conexão direta e indireta com todas as regiões do mundo.

Wuhan: berço do coronavírus

Com voos diretos a Londres, Nova York, Paris, Dubai e outros o Aeroporto Internacional de Wuhan transportou 20 milhões de pessoas apenas em 2016.

Com grande transição de pessoas e uma cidade tão populosa Wuhan se tornou além de tudo um centro de indústrias, tendo diversas fábricas em sua área.

Além delas, também se transformou em um lugar proeminente em instituições de ensino superior, tendo 52 duas delas e mais de 700 mil estudantes.

E é exatamente por ser uma cidade tão relevante para o comércio, turismo e infraestrutura do país que o contágio se deu de forma tão acelerada a partir de Wuhan.

Além das milhares de pessoas que transitam pela cidade e província também teve o agravante da China estar próximo a data do Ano Novo Chinês na época em que os primeiros casos surgiram.

Esse feriado leva milhares de pessoas para sua casa natal, viagens para outras províncias e a visita de turistas internacionais para os eventos, festivais e pontos turísticos que se tornam enormes atrações nesta época do ano.

Sendo assim, ao que estas pessoas voltaram para seus lugares de origem ou tiveram contato com pessoas que estavam em Wuhan ou algum lugar próximo na província, o contágio começou. E desde então não parou mais.

Acesse também: O novo coronavírus tem cura?

Um vírus fabricado?

Com o crescente número de notícias e descobertas sobre o Covid-19 que surgem todos os dias são várias as fake news que acabam se espalhando junto. Uma delas é a de que a China poderia ter fabricado o novo coronavírus em laboratório e espalhado para o mundo.

Essa é, segundo um um consenso de cientistas de todo o mundo, uma mentira sem qualquer base científica. Uma pesquisa publicada na revista científica Nature Medicine comprovou através de análises e testes que o Covid-19 vem de uma evolução natural.

Assim que os primeiros casos da nova infecção respiratória surgiram em Wuhan os cientistas chineses sequenciaram o genoma do vírus e tornaram as informações públicas para serem analisadas por quem assim quisesse o fazer.

A partir disso, e a medida que o Covid-19 se espalhou, cientistas o analisaram incansavelmente e chegaram a conclusão de que ele de fato é resultado de uma seleção natural.

Veja esse vídeo da BBC News:

No estudo eles deixam claro que, caso o novo vírus tivesse sido produzido em laboratório, a base do seu genoma seria a de um vírus patogênico já conhecido.

Entretanto, apesar de ainda ser semelhante ao genoma de doenças como SARS e MERS a base do Covid-19 é perceptivelmente diferente de qualquer outro coronavírus já visto. Ao mesmo tempo em que ele também se assemelha aos tipos de coronavírus encontrados em animais como morcegos, que são suspeitos de terem iniciado a transmissão.

Para além da feira de animais: de onde veio o Covid-19?

Os cientistas levantam duas hipóteses sobre como esse novo coronavírus surgiu. A primeira delas é que houve uma seleção natural, onde o vírus veio de um animal e chegou ao homem já com sua plena capacidade infecciosa.

Isso já aconteceu antes nos casos de SARS e MERS, onde o vírus estava nos corpos de animais como o morcego e o camelo.

No caso da SARS, especificamente, a transmissão parece ter começado nos morcegos. A partir deles o vírus foi transmitido para outros animais silvestres, que provavelmente foram capturados através da caça, levados aos mercados e então consumidos, fazendo com que humanos obtivessem uma nova doença.

Covid-19

a segunda hipótese trabalha com a possibilidade do vírus ter seguido um caminho semelhante, mas ter se tornado patogênico apenas quando já no corpo do ser humano.

Isso significaria que a transmissão de humanos para humanos acabou se desenvolvimento nos corpos dos primeiros infectados, pouco tempo antes do começo da epidemia.

Estudos ainda precisam ser feitos para se ter resultados conclusivos sobre qual das possibilidades é a correta. Entretanto, já se sabe que a primeira é a mais perigosa, caso verdadeira.

Tudo porque, se o vírus tem a capacidade de começar a evoluir ainda na transmissão de animal para animal as chances de epidemias do tipo acontecem com cada vez mais frequência são grandes.


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